Crises são inevitáveis. Perdas devastadoras, não.
O plano simples para proteger seu patrimônio quando o mercado desabar de novo.


Muita gente deixa de investir em ações simplesmente por medo de perder dinheiro, principalmente quando ouve algo do tipo: "o mercado caiu 10%".
Primeiro, precisamos entender que quedas são menos frequentes do que altas. No longo prazo, você acaba sendo recompensado por isso. A média acaba ficando positiva porque existem mais momentos bons do que ruins.
Porém, compreender o que realmente acontece durante essas quedas também ajuda a amenizar o medo.
Entendendo o que você realmente possui
Imagine que você tenha £10.000 investidos em ações. O que isso significa na prática?
Se considerarmos que o preço da ação que você possui custa £100, significa que você é dono de 100 ações.
Isso quer dizer que, se vender todas elas nesse momento, você receberia £10.000 no total (as 100 ações × £100 cada).
Detalhe importante: se estiver dentro de uma Stocks and Shares ISA, você não precisa pagar imposto sobre os ganhos.
O que realmente acontece quando o mercado cai 10%
Quando existe uma queda de 10%, essa queda se refere ao preço de cada ação:
Se a ação custava £100 e perdeu 10% do valor, ela passa a valer £90
Você ainda é dono de 100 ações
Porém, se vender todas elas agora, receberia apenas £9.000
A coisa mais importante que você precisa entender: quando você investe em ações, você não é mais dono de dinheiro líquido, mas sim de participações em empresas, cujo valor pode flutuar.
Por que nem toda queda significa prejuízo
É claro que ninguém gosta de ver uma queda, ou seja, ver sua ação saindo de £100 para £90.
Mas considere o seguinte cenário:
Quando você comprou essas ações, pagou £80 em cada uma
Seu investimento inicial foi de £8.000
Com o tempo, elas valorizaram para £100 cada
Se tivesse vendido no pico, teria recebido £10.000 (ganho de £2.000)
Você não vendeu, e agora caiu 10%
Mesmo com a queda, a ação ainda vale £90
Ou seja, £10 a mais do que você pagou inicialmente
Entender que essas quedas são, em primeiro lugar, temporárias (o mercado sempre tende a se recuperar), e que muitas vezes nem chegam a te colocar em posição de prejuízo, ajuda muito a amenizar o medo de investir.
Curto prazo vs. Longo prazo: duas lógicas diferentes
No curto prazo: o movimento é imprevisível.
Os preços das ações são movidos basicamente por especulação – pessoas tentando adivinhar se vai subir ou descer. São os famosos traders operando no dia a dia.
No longo prazo: o movimento de preço é racional.
Ser dono de uma ação significa ser dono de uma pequena parte de uma empresa real. Seu dinheiro está alocado em um negócio que oferece produtos e serviços que as pessoas precisam consumir. Isso gera lucro para a empresa, e esse lucro se reflete na valorização da ação ou nas distribuições de dividendos.
É claro que essa lógica pode falhar. Muitas empresas não conseguem se manter competitivas ou continuar gerando valor, e acabam fechando. Nesse caso, o preço da ação tende a despencar.
A importância da diversificação
Por isso é tão importante diversificar – não concentrar seu capital em apenas algumas poucas empresas.
Um ETF faz justamente esse trabalho: ele reúne dezenas, centenas, ou até milhares de empresas num só investimento. Assim você se protege do risco de investir apenas em uma única empresa que venha a falir.
Resumo até aqui
Até agora vimos que:
O curto prazo é irracional, mas no longo prazo o preço é movido por crescimento real
Muitas vezes uma queda ainda te deixa em posição de lucro
Diversificar reduz significativamente esse risco
A estratégia 60/40: equilibrando risco e retorno
Mesmo assim, algumas pessoas preferem evitar essa volatilidade toda. O que pode ser feito nesse caso?
Um movimento de quedas nas ações quase sempre (mas não sempre) vem acompanhado de um movimento de alta nos bonds (títulos de renda fixa de médio e longo prazo).
Por que ações e bonds se movem em direções opostas?
Quando ocorre uma crise no mercado de ações, os bancos centrais tendem a reduzir a taxa básica de juros.
Esse movimento visa estimular a economia e acelerar a recuperação. Quando se corta a taxa de juros, as pessoas tendem a poupar menos e gastar mais, as empresas vendem mais, e isso ajuda na recuperação do mercado.
Porém, esse corte tem um efeito colateral positivo para quem possui bonds: os títulos de renda fixa que foram emitidos anteriormente, com uma taxa prefixada maior, acabam se valorizando.
Exemplo prático:
Taxa de juros estava em 4%
Banco central cortou para 2%
Títulos emitidos anteriormente que continuam pagando 4% se tornam muito atrativos
Quem possui esses títulos vê uma valorização
A lógica: Queda nas ações → Corte na taxa de juros → Valorização dos bonds
Como funciona a carteira 60/40
Ao invés de investir 100% em ações, você investe:
60% em ações
40% em bonds (renda fixa de médio e longo prazo)
Por que as pessoas fazem isso? Porque geralmente enquanto ações estão caindo, bonds estão subindo.
Exemplo comparativo em cenário de queda
Carteira 60/40:
Total inicial: £10.000
Ações (60%): £6.000
Bonds (40%): £4.000
Após queda de 10% nas ações e alta de 5% nos bonds:
Ações: £6.000 - £600 = £5.400
Bonds: £4.000 + £200 = £4.200
Total: £9.600
Carteira 100% ações:
Total inicial: £10.000
Após queda de 10%: £10.000 - £1.000
Total: £9.000
Resultado: você teve uma queda amenizada pela presença dos bonds (perda de 4% vs. 10%).
Exemplo comparativo em cenário de alta
Carteira 60/40:
Total inicial: £10.000
Ações (60%): £6.000
Bonds (40%): £4.000
Após alta de 10% nas ações e 2% nos bonds:
Ações: £6.000 + £600 = £6.600
Bonds: £4.000 + £80 = £4.080
Total: £10.680
Carteira 100% ações:
Total inicial: £10.000
Após alta de 10%: £10.000 + £1.000
Total: £11.000
O trade-off: Você aceita um crescimento menor em troca de quedas mais suaves.
Para quem é a carteira 60/40?
Para quem busca crescimento com equilíbrio. É ideal para investidores que preferem um crescimento mais moderado, porém com a possibilidade de enfrentar quedas menos bruscas em eventuais crises.
Quando a estratégia 60/40 não funciona
Apesar de funcionar na maioria das vezes, em algumas crises tanto ações quanto bonds podem cair juntos, especialmente em crises de alta inflação.
Nessas situações, os bancos centrais, ao invés de cortar juros, precisam aumentá-los para controlar a inflação.
Com uma subida de juros, bonds que foram emitidos anteriormente com taxas menores acabam perdendo valor temporariamente.
A carteira 60/40, portanto, não funciona 100% do tempo, porém é uma excelente estratégia para quem quer investir mas tem receio de alocar 100% em ações.
Como implementar essa estratégia no UK
No Reino Unido existem vários fundos prontos classificados como "equilibrados" onde você encontrará uma alocação próxima disso: 60% ações e 40% bonds.
A boa notícia é que, da mesma forma que você pode investir em ações globais, você também pode investir em bonds globais através de um único ETF.
Próximos passos
Se você quiser aprender como aplicar essa estratégia em sua carteira, agende uma sessão de consultoria. Posso te ajudar com:
Simulações de crescimento comparando carteira 100% ações vs. 60/40
Análise de cenários de crise para você decidir qual é a melhor opção
Orientação sobre os passos necessários para selecionar os melhores ETFs para cada estratégia
