Londres está perdendo o brilho.

O Financial Times publicou uma reportagem extensa sobre algo que muitos brasileiros no Reino Unido já estão sentindo na pele, mas talvez ainda não tenham colocado em palavras.

5/23/20264 min read

Londres não é mais a mesma cidade de 10 anos atrás.

E não estou falando de nostalgia. Estou falando de dados, de emprego, de custo de vida e — o que mais importa para você — de decisões financeiras.

"Londres era um destino. Hoje é um compromisso"

Essa frase foi dita por um trabalhador do setor financeiro para o próprio FT. E ela resume bem o que está acontecendo.

Em 2012, quando Londres sediou as Olimpíadas, a cidade estava no auge. Era uma das cidades mais vibrantes do mundo — cheia de oportunidades, de gente de todo lado, de restaurantes lotados numa sexta-feira à tarde.

Hoje, essa mesma sexta-feira é diferente.

Gabriel Gonzalez, dono do restaurante Lima em Fitzrovia, conta que os restaurantes do bairro — um dos mais badalados do West End — estavam sempre cheios naquela época. Hoje, na hora do almoço, estão quase vazios.

Isso não é coincidência. É sintoma.

O que aconteceu com Londres?

A cidade foi atingida por uma sequência de choques, um atrás do outro:

2008 — Crise financeira global. O setor bancário, um dos pilares da economia londrina, nunca voltou ao ritmo de antes em termos de produtividade.

2016 — Brexit. As empresas reduziram expansões, as incertezas aumentaram, e a cidade começou a perder profissionais europeus que simplesmente foram embora.

2020 — Pandemia. O trabalho remoto virou hábito. Muita gente deixou de ir ao escritório — e especialmente às sextas-feiras. Os bares, restaurantes e comércios do centro sentiram isso no caixa.

O resultado? Nos quatro anos até o fim de 2023, a economia de Londres cresceu a um décimo do ritmo de 20 anos atrás.

Para ter uma noção: em termos de crescimento populacional, Londres cresceu apenas 2,3% nos últimos 5 anos. No mesmo período de 5 anos antes das Olimpíadas, tinha crescido 8,2%.

"Mas Londres ainda é uma cidade rica, não?"

Sim — e é importante deixar isso claro.

Londres ainda gera quase um quarto de toda a riqueza produzida no Reino Unido. Ainda responde por um quinto da arrecadação de impostos do país. Ainda está entre as duas cidades mais importantes do mundo, atrás apenas de Nova York num ranking global da Oxford Economics.

Mas o problema não é o tamanho atual — é a direção.

Uma cidade que já foi o motor mais potente da economia britânica está rodando em marcha lenta. E enquanto o resto do UK avança (Manchester, por exemplo, cresceu muito mais rápido em população, preços de imóveis e produtividade desde 2016), Londres fica para trás.

Por que isso importa para você, brasileiro no UK?

Porque você mora e trabalha aqui. E as consequências são concretas:

Emprego mais escasso

O emprego em Londres caiu mais do que em quase qualquer outra região do UK no último ano. Tanto Inner London quanto Outer London aparecem entre as áreas com maior queda percentual de trabalhadores registrados em folha.

Se você está procurando emprego, trocando de área ou pensando em empreender, isso é informação relevante — não é hora de ser ingênuo sobre o mercado.

A cidade ficou mais cara, mas os benefícios de viver aqui diminuíram

Essa é a frase que mais me chamou atenção no artigo do FT. O analista Liam Sides, da Oxford Economics, resume assim:

Londres ficou mais cara. Mas os benefícios de investir em Londres diminuíram.

E ele alerta: esse aperto dos dois lados cria um risco real de ciclo negativo — renda real caindo, consumo reduzindo, cidade perdendo mais força.

E o futuro? Tem esperança?

Tem — mas exige realismo.

Há pontos positivos reais. As grandes empresas de tecnologia americanas continuam abrindo escritórios em Londres (King's Cross está se tornando um polo tecnológico expressivo). O West End está batendo Broadway em bilheteria. O JPMorgan vai construir uma das torres mais altas da Europa em Canary Wharf.

Londres ainda atrai pesquisadores, startups e talentos globais — em parte porque um PhD aqui custa metade do que custaria em San Francisco.

Mas há um problema estrutural que nenhum investimento pontual resolve: a falta de habitação acessível.

Enquanto Londres não construir casas suficientes para as pessoas que quer atrair, ela vai continuar empurrando para fora justamente quem poderia fazer a cidade crescer: jovens profissionais, imigrantes talentosos, empreendedores.

E você sabe melhor do que ninguém o que significa tentar alugar ou comprar algo em Londres.

O que isso muda na sua estratégia financeira?

Tudo isso tem uma implicação prática direta para quem mora aqui:

Não dá mais para contar só com o salário e a correria do dia a dia.

Se a cidade está em desaceleração, o mercado de trabalho está mais competitivo, o custo de vida continua alto e a inflação corrói o seu poder de compra mês a mês — esperar "as coisas melhorarem" não é uma estratégia.

A pergunta certa não é "será que Londres vai se recuperar?".

A pergunta certa é: "o que eu estou fazendo hoje para que meu dinheiro trabalhe por mim, independentemente do que aconteça com a cidade?"

Reserva de emergência bem posicionada. Investimentos de longo prazo dentro da ISA. ETFs globais que não dependem só da economia britânica para crescer.

Isso não é pauta de rico. É a diferença entre quem vai chegar a 2035 com patrimônio construído — e quem vai olhar para trás e perceber que ficou de espectador.

Resumindo tudo
  • Londres está em desaceleração real: crescimento econômico fraco, queda de emprego, população estagnada e produtividade em baixa.

  • A cidade ainda é relevante e tem pontos fortes, mas a direção preocupa — e afeta diretamente quem vive aqui.

  • Mesmo quem ganha bem está sentindo o aperto entre custos crescentes e benefícios decrescentes de morar na capital.

  • A resposta não é entrar em pânico — é agir. Organizar suas finanças, proteger seu poder de compra e investir pensando no longo prazo.

  • O mercado global não depende do ciclo de Londres. Quem investe em ETFs globais está exposto ao crescimento de milhares de empresas ao redor do mundo — não só ao que acontece aqui.

Quer entender como montar uma estratégia financeira que faz sentido para a sua realidade aqui no UK — com reserva de emergência bem posicionada e investimentos de longo prazo dentro de uma ISA?

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