Uma Boa Decisão Pode Parecer Ruim — e Está Tudo Bem

Como sobreviver emocionalmente às fases ruins e colher resultados reais.

1/17/20265 min read

Uma decisão bem pensada, planejada, estudada e fundamentada em argumentos e dados sólidos pode, por azar, levar a um resultado ruim.

Por outro lado, uma decisão impulsiva, sem estudo e sem um fundamento lógico pode, por sorte, te levar a um bom resultado.

Porém, ao longo da vida, não tomamos uma única decisão. Tomamos centenas, milhares.

E então, nesse caso, o jogo vira:

Um conjunto de decisões bem pensadas, planejadas e fundamentadas em argumentos lógicos, baseados em dados, irá com toda certeza te levar a um lugar muito mais próspero do que um conjunto de decisões impulsivas e irracionais.

O que isso nos ensina?

Que não devemos julgar nosso desempenho apenas pelo resultado, mas sim pela estrutura racional por trás da nossa tomada de decisão.

Essa consciência é muito importante quando se trata de investimentos, porque, segundo a ciência, um dos fatores mais relevantes que impulsionam a tomada de decisão do investidor — ou seja, o que faz ele comprar ou não comprar um ativo — é o resultado recente.

E aqui mora o perigo:

Geralmente, o ativo que mais se valorizou recentemente é o mais desejado, e o ativo que mais caiu se torna o menos preferido.

Porém, quando falamos de expectativa de retorno, a lógica é exatamente a contrária:

Se um ativo se valorizou muito, sua expectativa de retorno futuro cai.

Enquanto, por outro lado, uma queda recente e uma forte desvalorização aumentam a expectativa de retorno futuro.

Veja esse gráfico abaixo: ele mostra o P/E do S&P 500, histórico e atual.

P/E é uma métrica usada para estimar se o mercado está “caro ou barato”.

Depois de uma forte valorização, como a que estamos vivendo nos últimos anos, o P/E vai lá pra cima — ou seja, o mercado fica “caro”.

E quando o P/E está alto (veja a barra verde mostrando que está próximo de 23), repare no gráfico como a distribuição de retornos subsequentes (pontinhos cinzas) fica próxima de zero e até mesmo negativa.

Já, por outro lado, veja o que acontece quando temos P/Es baixos (olhe à esquerda do gráfico: 17x, 14x, 11x), a distribuição de retornos nos anos seguintes (pontinhos cinzas) fica cada vez mais alta.

E quando é que o P/E chega a níveis baixos assim?

Em períodos de crise, desespero, crash no mercado.

Ali, naquele momento contraintuitivo — onde a maioria desiste — é onde se encontram oportunidades de ouro.

Mas ninguém quer saber.

Quando é que todo mundo se interessa?

Justamente quando a mídia está todo dia anunciando: “S&P 500 bate novo recorde!”

Veja como é contraintuitivo…

E como isso se relaciona com o início do texto, sobre como às vezes decisões ruins podem levar a bons resultados, e boas decisões podem levar a maus resultados?

Quem investe sem nenhum planejamento, sem fundamentos, sem preparação, pode surfar um momento de alta: o que subiu recentemente pode continuar subindo.

Ou seja, uma decisão sem fundamentos pode até funcionar por um tempo.

Já quem investe com consciência pode, muitas vezes, passar por períodos de baixa, porque mesmo decisões bem fundamentadas podem não entregar o resultado esperado por um certo período de tempo.

Qual é a grande diferença entre os dois?

A diferença é que o primeiro, assim que algo começa a dar errado, desiste.

O segundo não:

Quem investe com preparo e sabedoria sabe que uma única decisão, mesmo que esteja correta, pode levar temporariamente a resultados ruins, mas ele não se guia apenas pelo resultado — e sim pela estrutura da sua tomada de decisão.

E um conjunto de boas decisões, vindo de uma estrutura sólida e bem fundamentada, com disciplina, no longo prazo, leva a um resultado extraordinário no futuro.

Veja esses dois gráficos abaixo:

Os dados são do mercado americano, em dólar.

Stocks aqui são representadas pelo S&P 500.

Mesmo assim, isso serve como uma excelente aproximação para outros mercados, como Reino Unido ou ações globais — porque os padrões e ciclos tendem a ser semelhantes.

No primeiro gráfico, vemos o retorno médio anualizado de quase 100 anos.

A mensagem é clara: ações entregam o maior retorno, mas nunca de forma linear.

No segundo gráfico, vemos o retorno década por década — e é aqui que tudo se conecta com o tema central:

➡️ tem década espetacular
➡️ e tem década ruim

Ou seja: mesmo a classe de ativo mais vencedora da história passa por longos períodos de frustração.

Boas decisões nem sempre entregam bons resultados imediatamente.

Quem olha apenas para o curto prazo seria levado a conclusões equivocadas, como:

  • “ouro é melhor porque subiu agora”,

  • “ações são arriscadas demais porque tiveram uma década ruim”,

  • “cash é mais seguro porque dá retornos positivos todo ano”.

Mas a história — não um momento isolado — mostra outra coisa.

Não confunda um bom resultado momentâneo com uma boa decisão.

E não confunda um mau resultado temporário com uma decisão ruim.

E atenção: ruim não significa trágica

Sim, existem décadas com retornos negativos — mas não do tipo que “destrói tudo” ou faz você perder 100% do seu dinheiro. Longe disso.

Nessas décadas negativas, o investidor basicamente anda de lado: termina o período quase no mesmo lugar onde começou.

É uma década perdida, mas não uma década catastrófica.

E mais: desde 1930, isso aconteceu apenas duas vezes.

Ou seja, são exceções, não regra.

Mais um ponto crucial:

Os dados acima representam apenas o mercado americano, que, sim, é uma excelente aproximação do restante do mundo em termos de retorno e comportamento.

Porém essas “décadas perdidas” podem ser muito amenizadas por uma estratégia global, porque nem sempre quando os EUA passam por um período ruim o resto do mundo acompanha.

Países diferentes, ciclos diferentes, crises diferentes.

É justamente aí que a diversificação global brilha — ela suaviza essas fases ruins e mantém sua trajetória de longo prazo mais estável.

No fim das contas:

O que vence não é o timing.
É a estrutura.
É a disciplina.
É o processo.

Então, em vez de olhar apenas para o que aconteceu no último ano, olhe para quase um século de dados.

A resposta sempre esteve ali:

Uma boa estrutura de decisão supera qualquer impulso momentâneo.

Source: Historical Returns For Stocks, Bonds, Cash, Housing & Gold (2025) - A Wealth of Common Sense - Ben Carlson

VENÇA A PROCRASTINAÇÃO

O melhor dia para começar foi ontem, mas o segundo melhor é hoje!